quarta-feira, janeiro 14, 2009

Otimismo ou Desinformação?

Uma pesquisa do IBOpe mostra que 79% dos brasileiros acham que vão ganhar mais em 2009. Outros 49% acham que o ano será melhor que 2008. Culpados são o governo que subestimou o tamanho da crise e da mídia que faz uma cobertura superficial sobre a economia mundial. Falta didatismo para explicar o que é esperado a médio prazo despois que as indústrias comeram a demitir. Qual o significado da redução da atividade industrial?

Até parei de assistir os telejornais, porque se tornaram mais ainda divulgadores de notas do Banco Central. Isso é sinal do despreparo do pessoal que cobre a economia. Vi gente do esporte falando de reflexos da crise na economia da China. Foi a gota. Aqui uma matéria do portal Invertia.

FED: economia dos EUA continua a perder força

É o que diz o Livro Bege, que trás os dados que serão levados em conta na próxima reunião do conselho do FED que define a taxa de Juros, nos dias 27 e 28 de janeiro.

Segundo o Livro, os descontos oferecidos pelo comércio varejista não seduziram os consumidores. "os informes dos distritos indicam que as vendas no varejo foram em geral fracas, particularmente durante a temporada de festas", diz o documento. O mercado de mão-de-obra também se enfraqueceu, com alguns distritos do Fed relatando congelamentos e mesmo reduções de salários, especialmente entre as instituições financeiras, nas quais os bônus de fim de ano devem ter se reduzido em pelo menos 20% a 30%.

"A maioria dos distritos observou atividade fraca ou reduzida em uma variedade ampla de setores", diz o documento, preparado pelos técnicos do Fed de St. Louis antes de 5 de janeiro. Segundo o Livro Bege, "a maioria dos distritos relatou que as demissões continuaram. O de Nova York observou que um número substancial de reduções de emprego no setor financeiro ainda estão por aparecer nas estatísticas do payroll (relatório do mercado de trabalho)".

A crise continua a se aprofundar. O principal problema agora é o emprego ou a falta dele. Só vai voltar quando os investimentos públicos forem feitos. Mas o impacto do investimento no emprego não será imediato. Por isso o início da recuperação dos EUA está bem longe.

Fiesp defende diminuição de jornada com redução de salários

O objetivo é reduzir os custos. As empresas não querem ficar com estoques, senão forçam queda nos preços. Não precisam produzir tanto e por isso não precisa de trabalhadores durante 8 horas por dia. Pagando menos aos trabalhadores só as empresas ganham. Com os trabalhadores fica a incerteza e a necessidade de se rearranjar com o novo salário.

Em tempo de crise de consumo tirar dinheiro do trabalhador/consumidor é trazer a crise, definitivamente, para dentro do país. A aumentar ainda mais a queda na produção industrial, aumentar o desemprego e criar um campo fértil para deflação e recessão.

O  presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Paulo Skaf, contestou nesta quarta-feira as declarações do ministro trabalho, Carlos Lupi, de que as empresas beneficiadas por medidas do governo não possam demitir. Skaf também defendeu a redução da jornada de trabalho e de salários para evitar demissões no país, sem a garantia de estabilidade de emprego. As centrais sindicais são contra. Mas a Força Sindical aceita negociar.

A FIESP  acha que agora é um momento para se discutir a flexibilização das leis trabalhistas. Ontem, Lupi disse que não há motivos para demissões e defendeu que sejam dadas garantias de emprego pelas empresas que recebem incentivos e crédito subsidiado do governo. Mais na Folha On Line.